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18/01/2016

Aniversário do "Palavra de Literatura"

O blogueiro voltando ao trabalho, depois de quase um mês de folga.

Estou de volta a Brasília, depois das férias na Paraíba. Ontem o Palavra de Literatura completou um ano de existência. Em 17 de janeiro de 2015, saiu a primeira postagem no blog, dias depois de iniciado o perfil no Instagram. Acabei de reler o primeiro texto publicado aqui e os comentários de primeira hora, muito simpáticos, incentivadores, pelos quais agradeço. Tratava-se de uma espécie de programa de intenções, em que eu divisava o que seria o objetivo do blog.

Passado o primeiro ano, a impressão que tenho é de que o blog desviou-se um tanto do projeto inicial. A ideia primordial de colecionar palavras insólitas encontradas nas leituras ficou em segundo plano, e as publicações assumiram feições de resenha e de diário pessoal. Parte da meta também era fazer registros de meu ano, comprometer-me a escrever, a praticar o gesto de alinhavar momentos e lampejos em palavras escritas. Isso foi obtido em 88 postagens de tamanho e de teor variáveis. 

A experiência de acumular textos de autoria própria e retornar a eles sempre me foi muito instrutiva. Ensina sobre o tempo dentro da gente: o que de nós muda e o que permanece. Interessantíssimo também é voltar a algo que se fez e não se reconhecer, surpreender-se com o fato de que aquilo lhe saiu da mente e, no jeito de escrever mais atual, da ponta dos dedos. Vislumbrar o estranho que nos habitou, ou sentir-se um estranho dentro daquele que somos, é, entre outros ensinamentos, uma lição de alteridade, de que o mundo tanto precisa, e eu também.

Em 2016, continuo por aqui. Gostaria de retomar mais postagens com as palavras insólitas, que, como mencionado na inauguração do blog:

expressam situações, sentimentos, conceitos, objetos, colecionar palavras raras é uma maneira de, ao mesmo tempo, coletar e desencavar situações insólitas, sentimentos muliados, conceitos heteróclitos, objetos desvezados. É um jeito de enriquecer nossa experiência do mundo.

Por outro lado, como o Palavra de Literatura é muito exercício de liberdade, experimento e lazer para mim, não me preocupo em ater-me demais a amarras. Já sou muito contido na vida real, mais do que aqui, e estou procurando reequilibrar isso lá também. Continuarei a fazer registros, pretendo compartilhar a experiência do Mestrado em Literatura, agora como aluno efetivo, e seguirei com os trechos, com as resenhas e com os diários de leitura dos livros que ler. Aqui e ali, deve aparecer comentário sobre filme.

No final das contas, escrevo para mim mesmo em primeiro lugar, porque leitores mal aparecem por estas plagas, muito menos que se manifestem. Os que estão aí do outro lado me são muito caros, e eu adoraria receber notícias, seja por comentários, seja por e-mail: palavradeliteratura@hotmail.com.

07/01/2016

Balanço de 2015: os livros com nota máxima

Uma vantagem que aplicativos como o Goodreads e o Skoob oferecem a seus usuários leitores, além da interação ao estilo de rede social com outras pessoas, é a possibilidade de organizar e de registrar as leituras, de maneira que o usuário possa refletir sobre elas. Estava vendo há pouco meu balanço de livros lidos em 2015 e pude verificar quantos receberam cinco, quatro, três ou duas estrelas em minha avaliação, por exemplo. Noto que um ou outro mexeu comigo em retrospectiva, passados meses do término da leitura, como não pareceu me mover imediatamente após consumida a última página. Visualizando o conjunto de obras por avaliação dada por mim, ocorreu-me que talvez mudasse o arranjo e melhorasse algumas, ou rebaixasse outras.
Quando li Barba ensopada de sangue, em 2014, embora gostasse demais da companhia do narrador criado por Daniel Galera, a ponto de atravessar o livro a goles generosos e sôfregos, não achei que merecesse cinco estrelas. Lembro que considerei Dois irmãos, lido imediatamente antes, mais merecedor dessa avaliação. Tempos depois, sinto muita vontade de voltar ao Barba, uma saudade daquele ritmo, daquelas personagens, da ambiência, do constante sentimento de estranhamento que perpassa todo o livro, mas não sei que relerei o romance de Hatoum que lhe pareceu superior.
Esse exercício de reflexão proporcionado pelo registro e pela avaliação das leituras de um período mostra como a recepção de uma obra ficcional oscila na gente. A partir dessa constatação, pode-se questionar o que determina a variação de percepção. A gente pode ter mudado, depois de um ano, e o que pareciam critérios importantes, ao avaliar o livro logo após lê-lo, esmaece, perde valor.  O próprio livro recém-lido tem potencial de mudar a gente no sentido de seus valores e de sua coerência própria, mas a transformação não se dá logo em seguida à leitura: pode reverberar no leitor ainda algum tempo, inclusive imperceptivelmente.
Dos 35 livros que li em 2015, atribuí cinco estrelas a 13, os seguintes, sem hierarquia entre eles:

Ficção

1. Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro
2. O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago
3. Memorial de Aires, de Machado de Assis
4. Harry Potter e a pedra filosofal, de J.K. Rowling
5. O amanuense Belmiro, de Cyro dos Anjos
6. Bartleby, the scrivener, de Herman Melville
7. O livro das mil e uma noites, v. 1 - Ramo sírio, traduzido por Mamede Mustafa Jarouche


Não-ficção

1. Jung: o mapa da alma, de Murray Stein
2. O Anjo Pornográfico, de Ruy Castro
3. História da morte no Ocidente, de Philippe Ariès
4. A menina sem estrela, de Nelson Rodrigues
5. Teoria das Relações Internacionais, de João Pontes Nogueira e de Nizar Mesari
6. 18 dias, de Matias Spektor

31/12/2015

Retrospectiva 2015 - Goodreads

Que ano! O que mais vi, nas últimas semanas, foi gente torcendo pelo encerramento de 2015. A gente está habituado a criar explicações míticas e mágicas para os eventos, especialmente os mais drásticos, que nos ocorrem, e muitas pessoas atribuem ao ano, a seu número, a sua energia, a causa de coisas ruins. Quando se aproxima o fim dessa convenção temporal para organizar nossas vidas, quando vamos começar uma nova translação ao redor do Sol, é comum fazermos balanços, avaliarmos o que se fez, o que faltou, como executamos os planos, e o que foi realizado fora das metas. Aqui para o blog, devo fazer uma série de postagens com balanços e outras com propostas de projetos e de metas para 2016. Começo com a retrospectiva preparada pelo Goodreads, uma rede social em torno de livros na qual tenho um perfil. Também uso o Skoob, mas atualizo mais frequentemente o Goodreads.