A leitura é agradável como um papo sagaz sobre assunto que nos interessa afetiva e intelectualmente. Propõe-se objetivo muito instigante e promissor, investigar os limites de uma visão de futuro comum à nação brasileira que a distinguisse do resto do mundo e por meio da qual ela se inserisse na ordem global. Fez um prólogo que consome 90% do livro e não desenvolveu bem o objetivo inicial, restrito às últimas 15 páginas. A conclusão é quase nada de original, mas o livro tem a virtude de atualizar e de bem sintetizar, em linguagem sedutora, uma discussão ainda válida, embora antiga. Parece-me problemático em alguns pontos em que recorre, por exemplo, a noções como "vitalidade iorubá", "alegria tupi" e "ternura portuguesa".
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11/09/2015
A diplomacia no "Memorial de Aires"
| Nosso mito literário. |
A releitura recente do Memorial de Aires tem rendido uma série de postagens. Na primeira delas, estabeleci uma espécie de programa, de que o presente texto é um cumprimento parcial. Entre o surgimento da ideia desta postagem e sua execução, ocorreu que li um texto crítico de John Gledson sobre o romance, e isso reconfigurou o plano inicial. Minha intenção será analisar como a caracterização do narrador como diplomata confirma a interpretação do romance proposta por John Gledson, no ensaio crítico que eu mencionei na postagem Mais "Memorial de Aires", John Gledson e a crítica literária.
| O diplomata-mor brasileiro. |
O narrador do romance é diplomata aposentado. Ele terminou sua atividade profissional na classe de Conselheiro, que atualmente é uma posição intermediária na carreira diplomática, formada por seis níveis, comparáveis às patentes militares ou eclesiásticas. No plano atual da diplomacia brasileira, começa-se a carreira como Terceiro-Secretário e pode-se passar a Segundo- e Primeiro-Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe e Ministro de Primeira Classe. Na época de Aires, o cargo de Conselheiro era um dos mais altos, quando a quantidade de países soberanos era bem menor, o Brasil tinha uma presença bem mais modesta no mundo, e as relações exteriores brasileiras eram, por conseguinte, menos complexas.
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