Mostrando postagens com marcador 18 dias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 18 dias. Mostrar todas as postagens

09/09/2015

18 dias - resenha


Aos poucos, estou tentando cumprir a agenda de postagens prometida. Depois da resenha de Harry Potter e a Pedra Filosofal, chego a um livro de não-ficção, completamente alheio ao mundo das bruxas e da fantasia de J. K. Rowling. 18 dias, conforme adiantei em texto publicado como diário de leitura, trata de política internacional, de política externa brasileira e de história recente. Minha avaliação geral dessa obra é muito positiva, e tentarei explicar os porquês nos parágrafos seguintes. Em linhas gerais, trata-se de um apanhado amplo, claro e relativamente profundo do que de relevante aconteceu nas esferas políticas externa e doméstica brasileiras dos últimos vinte anos. "Amplo", "claro" e "profundo" são qualidades de difícil convivência em uma mesma obra.

12/07/2015

"18 dias" - Diário de leitura 1

Além de A menina sem estrela, está em marcha uma leitura não-literária, 18 dias, do especialista em Política Internacional e colunista da Folha de de São Paulo Matias Spektor. O autor é um dos mais respeitados comentaristas de assuntos internacionais no Brasil. Além dele, estão entre os mais monitorados analistas Sérgio Leo, do Valor Econômico, talvez Clovis Rossi, também da Folha, Oliver Stuenkel, que mantém um blog e ensina Relações Internacionais na FGV, e Dawisson Belém Lopes, que, se não me engano, tem coluna no Estadão.

A ideia de 18 dias é bem interessante: explicitar como, nos bastidores, dois Presidentes hoje icônicos da história da nova República brasileira cooperaram, a fim de reduzir os custos de uma transição de poder para o país, por meio da construção de confiança junto ao Governo estadunidense. 

O autor organiza os capítulos em dias, como sugere o título. Cada um corresponde a um dia subsequente à eleição de Lula para a sucessão de Fernando Henrique Cardoso, entre outubro e novembro de 2002. A época era de grandes incertezas, seja pelas dúvidas relacionadas à ascensão de um esquerdista à Presidência, no âmbito doméstico, seja pelas mudanças drásticas ocorridas nas relações internacionais posteriormente ao 11 de setembro de 2001.

Spektor inicia as seções com o relato sobre o dia, porém aproveita algum gancho, para desenvolver algum tema específico que predomina, até retornar, no final do bloco, ao formato de diário. Por exemplo, o dia 5 é majoritariamente sobre os desafios econômicos do país, tanto dentro quanto fora das fronteiras; o dia 6 sumariza como estava o Brasil quanto à agenda de direitos humanos internacional, por ocasião da mudança de Governo; o dia 8 é dedicado a expor os desafios e as conquistas do Governo que terminava, o de FHC, no que se refere às relações bilaterais com os Estados Unidos. E por aí vai.

Estou na metade do livro, e o que posso dizer é que consegue, até o ponto em que estou, o que todo livro de não-ficção deveria fazer idealmente: ter estrutura interessante e apresentar argumentos sólidos e bem fundamentados em linguagem cristalina. Normalmente, o que se ganha em clareza se perde em consistência e em densidade, porém esse não é o caso de 18 dias, até a metade.

Voltarei em breve, com mais impressões.

10/07/2015

Notícias dos últimos tempos

Terminou esta semana a disciplina do Mestrado em Literatura que cursei como aluno especial, a qual decidi fazer depois de iniciado o blog. Com isso, fico com mais tempo livre, ao menos, por umas semanas, para dedicar-me ao Palavra de Literatura. Talvez me submeta à seleção do Mestrado, cujo edital já foi publicado. Se for o caso, devo desviar tempo para a elaboração de um projeto de pesquisa, para a sedução (figurativamente!) de algum orientador e para a leitura da bibliografia do edital, já publicado. Veremos.

A disciplina que concluí, de quatro créditos, chamou-se "Literatura e mobilidade" e propôs-se a estudar, essencialmente, a representação literária da mobilidade, mais especificamente, das migrações, das diásporas, do exílio etc. A bibliografia foi muito interessante, especialmente a teórica, que incluiu textos de Edward Said, Stuart Hall, Salman Rushdie, entre outros mais restritos à academia. Foi bacana especialmente porque me permitiu conjugar o gosto pela literatura e pelos temas internacionais.

Meu artigo final, correspondente a 65% da nota, foi uma análise do romance Rakushisha, da escritora carioca Adriana Lisboa. Minha ideia foi enfocar a viagem da personagem Celina ao Japão como uma metáfora para o processo de luto que ela vivenciava no plano psicológico. Um dos textos teóricos mais interessantes do curso, designado a mim para apresentação de seminário, foi justamente sobre como a escrita de viagem normalmente está vinculada a um percurso íntimo, a um desenvolvimento no âmbito interior do viajante-narrador.

Esta é a capa da edição impressa. Li em formato eletrônico, no Kindle.


Em postagem seguinte, comentarei o romance e esmiuçarei melhor a abordagem que propus. O problema é que o risco de spoiler é grande. Veremos como contorno essa dificuldade. Também devo comentar as leituras conclusas no período de ausência, bem como aquelas em curso atualmente. No primeiro grupo, estão, além do Rakushisha, O livro da dor e do amor, de psicanálise, muito aproveitado para o artigo mencionado. No segundo grupo, estão A menina sem estrela, de Nelson Rodrigues, Harry Potter e a pedra filosofal, de J. K. Rowling, e 18 dias, de Matias Spektor. 

Aguardem, mas, se demorar, podem cobrar.