Que ano! O que mais vi, nas últimas semanas, foi gente torcendo pelo encerramento de 2015. A gente está habituado a criar explicações míticas e mágicas para os eventos, especialmente os mais drásticos, que nos ocorrem, e muitas pessoas atribuem ao ano, a seu número, a sua energia, a causa de coisas ruins. Quando se aproxima o fim dessa convenção temporal para organizar nossas vidas, quando vamos começar uma nova translação ao redor do Sol, é comum fazermos balanços, avaliarmos o que se fez, o que faltou, como executamos os planos, e o que foi realizado fora das metas. Aqui para o blog, devo fazer uma série de postagens com balanços e outras com propostas de projetos e de metas para 2016. Começo com a retrospectiva preparada pelo Goodreads, uma rede social em torno de livros na qual tenho um perfil. Também uso o Skoob, mas atualizo mais frequentemente o Goodreads.
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31/12/2015
30/11/2015
Rapidinhas de final de novembro
Prevejo que dezembro será um mês com fôlego nas postagens. Estive mais ausente do blog do que gostaria em novembro. Tive a seleção do Mestrado em Literatura, precisei preparar e apresentar um seminário na disciplina que curso, como aluno especial, do mesmo programa de pós-graduação, houve meu aniversário, que consome tempo na obrigação prazerosa de atender aos apelos de familiares e de amigos para comemorações, além das fogueiras de tempo de sempre: trabalho, relacionamento, amizades, visitas de gente querida a Brasília. Concluídas essas etapas, consegui terminar algumas leituras e retomar outras, agora falta comentá-las aqui.
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O livro que mais trabalho me dará vai ser Viva o povo brasileiro. Li-o, como sabe quem acompanhou postagens recentes aqui, por causa do seminário referido no parágrafo acima. Se toda obrigação fosse assim prazerosa e transformadora, eu viveria submetido a elas. O problema para tratar desse romance de João Ubaldo Ribeiro aqui será a dificuldade de abarcar a grandiosidade desse texto. É impossível fazer jus ao todo que ele significa, e disso sobressai o desafio de fazer recortes que sejam cirúrgicos e relevantes. A seleção será muito complicada, eu provavelmente não ficarei plenamente satisfeito com o resultado, contudo é preciso fazê-la.
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Darei notícias também sobre Cangaços. Apanhado de textos de Graciliano Ramos sobre as manifestações do cangaço, inclui crônicas, ensaios e capítulos de romances como "Vidas secas" e "Caetés". A unidade temática da coleção é reforçada por notas explicativas e contextualizadoras, e um posfácio dos organizadores sintetiza os aspectos formais e conteudísticos comuns, além de sugerir liames desses textos com a obra de Graciliano considerada globalmente. A prosa do escritor alagoano, louvada há décadas com muita razão, a meu ver, dispensa comentários e responde por boa parte do prazer proporcionado pela leitura deste volume.
11/11/2015
09/11/2015
"Viva o povo brasileiro" - diário de leitura
Estou concentrado esta semana na leitura de Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro. É um livro que estava listado havia tempos, mas cuja leitura, como a de muitos outros que mourejam aqui nas estantes de casa, esperava sem prazo. Lembro o muito que li de elogios e de recomendações sobre esse livro, especialmente de uma rara entrevista em que Marista Monte o incluía entre os seus mais estimados. Finalmente, porque é objeto principal de estudo de uma disciplina que estou cursando como aluno especial no Mestrado em Literatura da UnB, peguei-o.
Sem muito tempo agora, que a madrugada já finda, e eu tive de prolongar a vigília por causa de uma gatinha branca que adotei recentemente para fazer companhia a Homero (o gato ruivo que figura na imagem de fundo do blog), compartilho, antes de deitar, que poucos livros me proporcionaram um prazer tão grande como o que sinto ao correr as páginas de Viva o povo brasileiro. João Ubaldo tem uma prosa finíssima, ao mesmo sofisticada, rebuscada e clara. Alterna magistralmente registros os mais diversos, como frases barrocas à Antonio Vieira e o português malemolente das pessoas escravizadas no Brasil. A paleta de vocabulário dele e a forma certeira como emprega cada termo é sensacional. Prazer semelhante senti talvez com O Romance da Pedra do Reino, de Ariano Suassuna, e, mais recentemente, com O Evangelho segundo Jesus Cristo, de Saramago.
Não transcrevo agora, porque esta é para ser uma postagem curta, de minutos antes de dormir, mas logo trarei em nova postagem uns quatro trechos que me impressionaram particularmente; tanto, que tenho vontade de relê-los sempre, para o resto da vida.
| João Ubaldo: depois de começar a ler Viva o povo brasileiro, quero ser ele! |
Boa semana, com este entusiasmo de ler Viva o povo brasileiro!
* A gatinha a que me referi, escolhida em uma feira de adoção no sábado, aqui em Brasília, chama-se Penélope, em homenagem à personagem da Odisseia. A adaptação entre ela e Homero está em curso, eles estranham-se muito, mas já dá para notar que tendem a ficar próximos, mesmo que ainda não estejam se embolando e dormindo encangados.
Postado por
RLCA
às
07:00
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Viva o povo brasileiro
07/11/2015
Satisfações de um início de novembro
Leitoras discretas, leitores silenciosos, tenho lido bastante, mas sobra pouco tecmpo para escrever. Neste mês de novembro, preciso ler a bibliografia de uma seleção de Mestrado, composta por livros teóricos da área de Literatura, os textos de uma disciplina que estou cursando como aluno especial, o romance Viva o povo brasileiro, para a mesma disciplina, além de uma monografia, a pedido de uma amiga. Na semana recém-finda, já tracei uma dissertação de Mestrado em História, porque seu autor, meu amigo, decidiu publicá-la em livro e pediu-me que escrevesse o texto da capa traseira. Fiquei bem feliz com a honraria, mas achei necessário ler o trabalho de ponta a ponta, para elaborar o melhor texto possível.
Essas leituras todas, embora me agradem, têm prazos para cumprimento, o que manda para o final da fila todas aquelas que eu vinha fazendo meramente porque me deu na telha. Estão paradas Harry Potter and the Chamber of Secrets, Suicide and the Soul, Cangaços e História da morte no Ocidente. Acredito que será possível terminar todos até o final do ano, além de cumprir um pouco mais da meta de 2015, da qual me desviei bastante. Oportunamente comentarei cada livro desses, além de problematizar essa questão da meta. Foi o primeiro ano em que organizei uma com tanto detalhe, e não me frustro tanto, porque a vida já me ensinou que não é linear, e que os planejamentos devem gozar de certa flexibilidade, especialmente quando dizem respeito aos prazeres de nosso tempo livre.
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