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09/05/2017

15 livros e 15 livros seis anos depois

Hoje o Facebook me trouxe uma lembrança de seis anos atrás, maio de 2011. Uma brincadeira envolvendo listas. O desafio era o seguinte:

"As regras: não demore muito para pensar sobre isso. Quinze livros que você leu e que vão sempre estar com você. Liste os primeiros quinze que você lembrar em não mais do que quinze minutos. Eles não têm de estar em ordem de importância."

Depois, eu tinha de marcar quinze amigos, entre os quais o que me marcou antes, para que fizessem as respectivas listas. Os livros que pus na minha postagem foram os seguintes:

1) Odisseia - Homero
2) Ilíada - Homero
3) A República - Platão
4) Fédon - Platão
5) Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
6) Dom Casmurro - Machado de Assis
7) Vidas Secas - Graciliano Ramos
8) Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
9) Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto
10) Édipo Rei - Sófocles
11) Prometeu acorrentado - Ésquilo
12) Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
13) Ensaio sobre a cegueira - José Saramago
14) A festa do bode - Mario Vargas Llosa
15) Crime e castigo - Dostoiévski

Aquela sensação de estranhamento, de não reconhecimento, diante de algo que você escreveu ou grifou anos atrás me ocorreu. Às vezes, deparo com trechos sublinhados antes que não mereceriam minha atenção no momento da releitura. Pois bem: não sinto, no presente, que alguns desses livros me tenham marcado tanto e, por isso, decidi refazer o exercício com meu eu atual, talvez para não me reconhecer daqui a seis anos novamente. Lá vai:

(marquei em negrito as obras que continuaram na lista; marquei também em negrito o nome do autor, quando ele continuou na lista, mesmo que tenha alterado a obra de predileção)

1) Odisseia - Homero
2) Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
3) Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
4) Ilíada - Homero
5) O evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago
6) Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto
7) Viva o povo brasileiro - João Ubaldo Ribeiro
8) Vidas secas - Graciliano Ramos
9) A festa do bode - Mario Vargas Llosa
10) Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez
11) Enquanto agonizo - William Faulkner
12) O moleque Ricardo - José Lins do Rego
13) Eu e outras poesias - Augusto dos Anjos
14) Casa-grande & senzala - Gilberto Freyre
15) Mal-estar na civilização - Sigmund Freud

Deixem nos comentários suas listas. Se tiverem feito algo semelhante anos atrás, digam-me, por favor, se algo mudou.

10/11/2015

O que o Palavra de Literatura me tem proporcionado

O perfil no Instagram e o blog onde publico este texto mal completaram um ano. Falta pouco, mas foi muito o que esta experiência em que me lancei trouxe de bom e de novidade à vida. 
Gosto da palavra escrita desde o comecinho da adolescência. Palavra me fascina. Acho que ter um instrumento para penetrar no que pensam e sentem outras pessoas e para tentar aproximá-las do que somos, das mais valiosas nuanças do que sentimos, é mesmo algo que se poderia qualificar como divino.
A transmissão sempre será imperfeita, contudo pode-se, mesmo assim, experimentar, por meio das palavras, as delícias envolvidas em viajar para outros eus, em reconhecer fora de si algo que é intimamente familiar, em esquecer um pouco a solidão em que vivemos ilhados e meio condenados. A linguagem propicia a esperança de expandir os limites representados pelas barreiras de nosso eu.
Quando criei o Palavra de Literatura, como está explicado nas postagens iniciais, a ideia era elaborar textos sobre minhas leituras, mas com foco em palavras que chamei "de literatura", porque são incomuns, de uso pouco corrente. Essas palavras têm talento para perturbar nosso automatismo de cada dia, remexem com pensamentos e com sentimentos acomodados, talvez desorganizem uma ordem interna de marasmo e de enfado. Algo novo acontece em mim, quando deparo com uma palavra de literatura. A ideia do IG e do blog, em primeiro lugar, era salvar esses momentos luminosos e, além disso, deixá-los à disposição de quem se pudesse sentir tocado por eles comigo.
O foco das postagens expandiu-se, e boa parte dos textos virou resenhas e diários de leitura. Para mim, sem problemas. A coisa toma a forma que precisa. O que eu não poderia imaginar era que, menos de um ano depois,  conheceria tanta gente de lugares geográficos tão distantes, todavia de locais afetivos e intelectuais tão próximos. Se a internet está aí, que sirva para coisas tão boas como está sendo aproximar-me de pessoas que me deem ânimo para explorar paixões, para tocar projetos criativos, para travar contato com o novo.
Neste final de ano, com um grupo inimaginável de mulheres sensacionais, de que faço parte, orgulhoso, como o único representante dos indivíduos com cromossomo Y, serei o amigo secreto literário de uma delas. A preparação para essa troca tradicional em finais de ano está ensejando um diálogo intenso em canais como WhatsApp, Facebook e, origem de tudo, Instagram. Trocamos experiências de leitura, algo de que sinto muita falta na vida fora das redes sociais eletrônicas, e dicas sobre arte, sobre comunicação, e até sobre como assediar o tímido, admirado e charmoso escritor Daniel Galera.
Tudo que me aconteceu, até o presente, por conta do Palavra de Literatura, foi especial demais e consta da prateleira de dádivas de minha vida. Muito de intenso e até doloroso, outro tanto de inesperado e de apaziguador, tudo boa matéria-prima de vida.